A Anbima ativou nesta sexta-feira (19) a Anby, assistente conversacional de inteligência artificial que responde sobre os códigos de autorregulação da associação em cinco áreas iniciais. Programada para citar a norma usada em cada resposta, a ferramenta nasce com roadmap para também englobar regras da CVM e a base de emissões do mercado de capitais.
O lançamento coloca a entidade que há menos de dois meses publicou um código próprio para custódia de ativos digitais dentro de outro perímetro: o de oferecer IA generativa como camada de consulta institucional. Áreas de compliance e jurídica dos associados foram apontadas como a demanda original do projeto, conforme reportou o Valor Econômico.
O que a Anby cobre e o que ainda vai cobrir
| Conteúdo | Status |
|---|---|
| Administração e gestão de recursos | Cobertura atual |
| Distribuição de investimentos | Cobertura atual |
| Ofertas públicas | Cobertura atual |
| Serviços qualificados | Cobertura atual |
| Negociação de instrumentos financeiros | Cobertura atual |
| Normas da CVM | Roadmap |
| Base de emissões e produtos do mercado | Roadmap |
Escopo da Anby no lançamento e nas próximas etapas. Fonte: Valor Econômico
Como a Anby foi montada
O projeto nasceu dentro do Discovery.IA, programa da Rede Anbima de Inovação voltado a usos práticos de IA em gestoras, realizado em 2024. O desenvolvimento mobilizou o Instituto Eldorado como parceiro técnico, e a ferramenta passou por rodadas de teste e validação com associados antes da estreia.
Além dos códigos, a Anby tem acesso aos materiais oficiais da casa: procedimentos, deliberações, glossários e FAQs. Cada resposta devolve ao usuário a referência normativa usada como base, segundo a associação.
Quais limites a IA foi obrigada a respeitar
A engenharia da Anby foi instruída a não dar opinião, não fazer recomendação e não responder fora dos códigos da casa. Normas de outros reguladores ficam fora do escopo da primeira versão. O desenho é defensivo: privilegia rastreabilidade da resposta em vez de oferecer uma leitura interpretativa.
“A Anby é o primeiro passo da nossa estratégia conversacional. Ela foi pensada para atender às necessidades atuais de consulta à autorregulação e já nasce preparada para evoluir para outros temas da Anbima”, disse Zeca Doherty, diretor-executivo da associação.
O lançamento chega em sequência a outras frentes recentes. Em maio, Roberto Paris assumiu a presidência mirando regulação de títulos bancários e, antes disso, a entidade publicou o código de custódia digital. A Anby reforça o eixo de digitalização institucional.
O que observar
O ponto a acompanhar é quanto da rotina das áreas de compliance e jurídica de gestoras, distribuidores e participantes do mercado de capitais migra para a camada conversacional. Se o tempo médio de consulta cair de horas para minutos sem perder rastreabilidade normativa, o modelo vira referência para que outras associações setoriais e até reguladores levem a IA generativa para dentro da relação com associados.
O segundo teste é a fronteira do escopo. Quando a base de normas da CVM e a base de emissões entrarem, a ferramenta deixa de ser consulta a códigos de uma autorreguladora e passa a navegar por dois universos normativos. A pergunta operacional é se o desenho de “sem opinião, com referência normativa” sustenta a complexidade, ou se exigirá camadas adicionais de governança para evitar interpretações divergentes em consultas críticas.
Fontes: Valor Econômico • Anbima • Let’s Money • Let’s Money