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  • Anbima cria IA pra autorregulação e mira normas da CVM

    A Anbima ativou nesta sexta-feira (19) a Anby, assistente conversacional de inteligência artificial que responde sobre os códigos de autorregulação da associação em cinco áreas iniciais. Programada para citar a norma usada em cada resposta, a ferramenta nasce com roadmap para também englobar regras da CVM e a base de emissões do mercado de capitais.

    O lançamento coloca a entidade que há menos de dois meses publicou um código próprio para custódia de ativos digitais dentro de outro perímetro: o de oferecer IA generativa como camada de consulta institucional. Áreas de compliance e jurídica dos associados foram apontadas como a demanda original do projeto, conforme reportou o Valor Econômico.

    O que a Anby cobre e o que ainda vai cobrir

    Conteúdo Status
    Administração e gestão de recursos Cobertura atual
    Distribuição de investimentos Cobertura atual
    Ofertas públicas Cobertura atual
    Serviços qualificados Cobertura atual
    Negociação de instrumentos financeiros Cobertura atual
    Normas da CVM Roadmap
    Base de emissões e produtos do mercado Roadmap

    Escopo da Anby no lançamento e nas próximas etapas. Fonte: Valor Econômico

    Como a Anby foi montada

    O projeto nasceu dentro do Discovery.IA, programa da Rede Anbima de Inovação voltado a usos práticos de IA em gestoras, realizado em 2024. O desenvolvimento mobilizou o Instituto Eldorado como parceiro técnico, e a ferramenta passou por rodadas de teste e validação com associados antes da estreia.

    Além dos códigos, a Anby tem acesso aos materiais oficiais da casa: procedimentos, deliberações, glossários e FAQs. Cada resposta devolve ao usuário a referência normativa usada como base, segundo a associação.

    Quais limites a IA foi obrigada a respeitar

    A engenharia da Anby foi instruída a não dar opinião, não fazer recomendação e não responder fora dos códigos da casa. Normas de outros reguladores ficam fora do escopo da primeira versão. O desenho é defensivo: privilegia rastreabilidade da resposta em vez de oferecer uma leitura interpretativa.

    “A Anby é o primeiro passo da nossa estratégia conversacional. Ela foi pensada para atender às necessidades atuais de consulta à autorregulação e já nasce preparada para evoluir para outros temas da Anbima”, disse Zeca Doherty, diretor-executivo da associação.

    O lançamento chega em sequência a outras frentes recentes. Em maio, Roberto Paris assumiu a presidência mirando regulação de títulos bancários e, antes disso, a entidade publicou o código de custódia digital. A Anby reforça o eixo de digitalização institucional.

    O que observar

    O ponto a acompanhar é quanto da rotina das áreas de compliance e jurídica de gestoras, distribuidores e participantes do mercado de capitais migra para a camada conversacional. Se o tempo médio de consulta cair de horas para minutos sem perder rastreabilidade normativa, o modelo vira referência para que outras associações setoriais e até reguladores levem a IA generativa para dentro da relação com associados.

    O segundo teste é a fronteira do escopo. Quando a base de normas da CVM e a base de emissões entrarem, a ferramenta deixa de ser consulta a códigos de uma autorreguladora e passa a navegar por dois universos normativos. A pergunta operacional é se o desenho de “sem opinião, com referência normativa” sustenta a complexidade, ou se exigirá camadas adicionais de governança para evitar interpretações divergentes em consultas críticas.

    Fontes: Valor EconômicoAnbimaLet’s MoneyLet’s Money

  • BB pode levar crédito a 12 mil famílias da Amazônia

    O Banco do Brasil realiza nesta semana, em Brasília, a Formação dos Agentes da Sociobioeconomia, reunindo cerca de 140 participantes em uma agenda que integra crédito, sustentabilidade e desenvolvimento territorial. A ação tem potencial de viabilizar quase meio bilhão de reais em novas operações e ampliar o acesso ao financiamento para até 12 mil famílias.

    Números da Formação dos Agentes da Sociobioeconomia

    Indicador Valor
    Participantes na formação cerca de 140
    Famílias a alcançar até 12 mil
    Potencial de novas operações aproximadamente R$ 420 milhões
    Biomas atendidos Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga

    Indicadores divulgados pelo Banco do Brasil sobre a iniciativa. Fonte: Banco do Brasil

    Capacitação em quatro biomas

    A iniciativa contempla a capacitação de agentes de crédito com atuação em biomas estratégicos, como Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga. O foco está em “promover crédito com propósito, direcionado a cadeias produtivas que integram geração de renda, conservação ambiental e inclusão produtiva”, segundo o Banco do Brasil.

    Parcerias federais e multilaterais

    O encontro tem a presença de autoridades do banco e representantes do governo federal, como João Capobianco (MMA) e Fernanda Machiavelli (MDA), reforçando a articulação entre sistema financeiro, ministérios e organizações da sociedade civil em torno do fortalecimento da economia verde no país.

    Construída em parceria com instituições como BID, Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), Instituto Clima e Sociedade (iCS) e Conexsus, a formação está alinhada à estratégia do Banco do Brasil de ampliar seu papel como indutor do desenvolvimento sustentável no país. A proposta vai além do financiamento, ao fomentar a estruturação de redes que combinam assistência técnica, políticas públicas e soluções financeiras.

    Posicionamento no debate pós-COP30

    A realização da oficina ocorre em um cenário de crescente protagonismo da sociobioeconomia no debate global, especialmente após a COP30. A iniciativa entra na sequência de outras frentes recentes do banco na agenda sustentável, como a liderança em captação de R$ 1,5 bilhão no Programa Eco Invest e o reposicionamento da carteira de agro em torno de baixo carbono. Nesse contexto, o Banco do Brasil reforça seu compromisso com iniciativas que promovam impacto positivo nos territórios, consolidando uma atuação consistente na agenda de sustentabilidade e inclusão produtiva.

    O que observar

    A iniciativa interessa especialmente a cooperativas e organizações da sociedade civil que atuam nos biomas listados e dependem de assistência técnica para acessar crédito rural com componente socioambiental. Vale acompanhar como a articulação entre o banco, ministérios e organismos multilaterais se traduz em volume efetivamente contratado nos próximos trimestres, dado o pano de fundo da agenda pós-COP30.

    Fontes: Banco do BrasilLet’s MoneyLet’s MoneyBID

  • Durigan: governo dará garantia a juro de informal adimplente

    A equipe econômica prepara um pacote de garantia federal para baixar o juro cobrado de quem trabalha por conta própria e mantém o crédito em dia. A sinalização veio do ministro Dario Durigan, em 18 de junho. Não há prazo nem percentual divulgado; segundo Durigan, o detalhe sairá “em breve”.

    À TV Metrópoles, o titular da Fazenda argumentou que o custo do crédito pesa no orçamento das famílias. Pela leitura dele, quem está fora do vínculo formal de trabalho carrega a fatia mais alta da taxa cobrada pelo banco. A lógica do desenho, conforme apresentado pelo ministro, é premiar o adimplente: o Tesouro assume parte do risco, o banco baixa a taxa, e o tomador segue pagando. “Me parece uma medida de justiça e de incentivo ao bom pagador”, afirmou Durigan.

    Continuidade do playbook de garantia federal

    O movimento estende para o tomador informal o framework de garantia pública que a Fazenda já vem usando para reduzir o spread bancário em outras frentes. Em maio, o Banco do Brasil chegou a R$ 18,2 bilhões no Crédito do Trabalhador, o consignado privado lastreado em FGTS criado pelo governo. E ainda em maio, a equipe econômica sinalizou que mira destravar CDC sem garantia para adimplentes do Desenrola, com a mesma engenharia de cobertura parcial pelo Tesouro.

    Em paralelo, o Desenrola tirou 4 milhões de nomes das listas de inadimplência desde a renegociação aberta pela Fazenda. Na série histórica do Let’s Money sobre o tema, o pacote agora ventilado por Durigan ataca o segmento que ficou de fora do consignado privado e do Desenrola: quem atua por conta própria e nunca atrasou, mas paga taxa próxima à do tomador médio porque o banco não consegue diferenciar o perfil.

    O que Durigan disse e o que ainda falta detalhar

    Item Anunciado por Durigan
    Beneficiário Trabalhador informal que paga em dia
    Mecanismo Governo dá garantia ao banco para reduzir a taxa
    Justificativa Premiar o bom pagador, evitar inadimplência
    Anúncio “Em breve”, sem data divulgada
    Pontos abertos % de garantia, fonte de funding, banco operador, definição do “bom pagador” informal

    Resumo da entrevista de Dario Durigan à TV Metrópoles em junho de 2026. Fonte: Valor Econômico

    O ponto cego do “bom pagador” informal

    Estender a lógica do consignado público para o trabalhador por conta própria esbarra em um problema operacional: não há contracheque para reter parcela na fonte, e o cadastro positivo voluntário cobre fração do público informal. Para o banco diferenciar quem é adimplente, ele depende de fontes alternativas, como histórico de pagamento de contas básicas, score de bureaus, dados do Open Finance, transações via Pix. Sem definir esse critério, a garantia federal vira subsídio uniforme, não prêmio ao adimplente.

    Durigan não detalhou ainda nem o percentual da garantia, nem a fonte do recurso. O modelo do Crédito do Trabalhador usa o FGTS como colateral; o Pronampe usa o FGO; o FGI atende empresas médias. Para o informal sem CNPJ nem CTPS, o fundo garantidor precisa de desenho próprio.

    O que observar

    O desenho do pacote dirá mais do que o anúncio. Vale acompanhar três pontos: qual cadastro vai lastrear a definição de “adimplência” para quem não tem vínculo formal, seja bureaus de crédito, Open Finance, Pix recorrente, conta de luz; qual o percentual da garantia federal e a fonte do funding, considerando que o espaço fiscal está pressionado; e como bancos públicos vs. instituições privadas vão precificar essa garantia. Os atores mais impactados são fintechs de crédito a microempreendedor, instituições de pagamento que oferecem crédito a contas de conta própria, e bancos médios com carteira PJ pequena. Se a garantia for cheia, o subsídio é grande mas concentrado; se for parcial, o teste real é se a taxa final cai o suficiente para o tomador trocar o crediário informal pelo bancário.

    Fontes: Valor EconômicoLet’s Money: CDC sem garantia no DesenrolaLet’s Money: Crédito do Trabalhador no BBLet’s Money: Desenrola e inadimplência

  • Valor: governo estuda FGTS de até 100% no consignado CLT

    O governo Lula estuda permitir que o saldo do FGTS sirva de garantia para até 100% do valor nominal da dívida do Crédito do Trabalhador, a linha de consignado dos celetistas (CLT), segundo apuração do Valor. Pelas regras em desenho, o teto integral vale via Carteira de Trabalho Digital; no canal direto com o banco, o limite cai a 50%. Com a nova garantia, a taxa pode ficar em 2,99% ao mês.

    A linha foi reformulada pelo governo Lula e lançada em março de 2025 para reunir trabalhadores celetistas, domésticos, rurais, empregados de MEI e diretores não empregados com direito ao FGTS. Hoje, a regra que está nos autos do programa permite usar até 10% do saldo do FGTS ou até 100% da multa rescisória como colateral, mas o Comitê Gestor do programa ainda não regulamentou nenhuma das duas modalidades, segundo o Valor.

    Garantia em estudo no Crédito do Trabalhador

    Item Hoje (não regulamentado) Proposta em estudo
    Via Carteira de Trabalho Digital até 10% do saldo + 100% da multa rescisória até 100% do valor nominal da dívida
    Via canal direto com banco até 10% do saldo + 100% da multa rescisória até 50% do valor nominal da dívida
    Taxa de juros 3,67% ao mês (média MTE, 17/mar/2026) 2,99% ao mês (estimativa do governo)

    Regras em estudo segundo apuração do Valor de 18/jun/2026; taxa média atual do programa segundo o Ministério do Trabalho. Fontes: Valor e Ministério do Trabalho.

    O cronograma que escorregou

    Em abril, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, dizia que a regulamentação do FGTS como colateral viria em maio e a implementação em junho, com base nos 10% do saldo somados a 100% da multa rescisória, conforme o Let’s Money mostrou na época. O calendário derrapou: o Comitê Gestor não bateu o martelo na primeira versão e o governo decidiu escalar a proposta, ampliando o uso do saldo para até 100% pelo canal da CTPS Digital.

    A garantia integral do FGTS está costurada para sair no mesmo pacote da rodada do Desenrola para trabalhadores informais adimplentes, com anúncio previsto entre 29 de junho e 4 de julho. Como o Let’s Money apurou em 17 de junho, a rodada para informais usa garantia do FGO e mira juros abaixo de 4% ao mês para até 2 milhões de pessoas. No Crédito do Trabalhador, a garantia será apenas do FGTS, sem aporte adicional do FGO.

    Adesão concentrada em poucos bancos

    O programa acumulou R$ 117,1 bilhões em empréstimos no primeiro ano, alcançou 9,4 milhões de trabalhadores e somou 20,9 milhões de contratos, segundo o Ministério do Trabalho. Janeiro de 2026 marcou o pico mensal, com R$ 13,1 bilhões desembolsados. Para o Valor, a leitura do governo é que o ritmo decepcionou: a alta taxa cobrada na linha é apontada como gargalo desde o lançamento.

    A concentração em players grandes é uma das pistas. O Banco do Brasil sozinho fechou R$ 18,2 bilhões em desembolsos em 14 meses, cobrindo 1,2 milhão de trabalhadores em 203,7 mil empresas. Já a carteira total do consignado privado, que junta o Crédito do Trabalhador a operações herdadas e estruturas paralelas, passou de R$ 100 bilhões em março de 2026, com Itaú liderando em R$ 19,5 bilhões e fintechs como QI Tech, Bull e UY3 disputando funding no canal de originadores.

    Em entrevista ao podcast Let’s Money em junho de 2025, Valquiria Matsui, sócia institucional da QI Tech, afirmou: “São todas as pessoas CLTs agora que têm a oportunidade de, através do consignado privado, poder ter uma linha de crédito nesse novo produto que o governo lançou”. A leitura à época era de mercado massivo e ainda inexplorado, dependente de funding e de redes de originação para escalar.

    O que observar

    A diferença entre 100% via CTPS Digital e 50% pelo canal direto com o banco redesenha a economia da operação. Originadoras de crédito CLT, securitizadoras de FIDC e bancos médios passam a competir por contratos que chegam à CTPS Digital com a maior parte do risco coberto pelo FGTS, enquanto a operação direta com instituições financeiras grandes mantém metade do risco em pé. Vale acompanhar se o desenho atrai mais entrantes para a originação digital, se o Comitê Gestor consegue regulamentar a versão antiga e a nova no mesmo ato, e se a taxa estimada se sustenta sem reforço adicional de subsídio federal quando a primeira leva de contratos rodar.

    Fontes: ValorMinistério do TrabalhoLet’s Money:BB no Crédito do TrabalhadorLet’s Money:Consignado privado passa R$ 100 biLet’s Money:FGTS como garantia do consignado privadoLet’s Money:Desenrola para informaisLet’s Money Podcast: Valquiria Matsui (QI Tech)

  • Revolut ressarce 112 mil irlandeses por taxa indevida em ATM

    A Revolut está ressarcindo cerca de 112 mil clientes da operação irlandesa por uma cobrança indevida de taxa de uso de caixa eletrônico aplicada entre junho de 2023 e fevereiro de 2024. O reembolso mediano é de €3,95 e o banco atribui o erro a um provedor terceirizado de ATMs, sem relação contratual direta com a fintech.

    A devolução foi confirmada pela Revolut ao Irish Independent, primeiro veículo a publicar o caso. Apesar de a fintech afirmar que não tem contrato com o parceiro responsável pela cobrança e que o valor cobrado nunca chegou a entrar em seu caixa, ela está reembolsando os usuários por conta própria. “A taxa de acesso ao caixa eletrônico foi aplicada exclusivamente pelo provedor do ATM, sem instrução da Revolut e sem ser repassada à Revolut”, afirmou um porta-voz da empresa, em declaração ao Irish Independent (em tradução livre). O provedor terceirizado não foi nominalmente identificado pela fintech.

    O erro de cobrança em números

    Variável Dado
    Período da cobrança Junho de 2023 a fevereiro de 2024
    Clientes afetados Cerca de 112 mil
    Reembolso mediano €3,95
    Causa atribuída Provedor terceirizado de ATM

    Detalhes do erro de cobrança de taxa de ATM em clientes irlandeses da Revolut. Fonte: Irish Times

    Reembolso cai em trimestre de ofensiva da operação europeia

    O incidente vem em um trimestre denso para a Revolut na Europa. Em maio e junho, a fintech anunciou a adesão ao Click to Pay da Visa em todos os cartões emitidos e obteve licença da FCA para entrar em gestão de patrimônio no Reino Unido. Pelo lado de risco, publicou dados internos mostrando que o monitoramento de fraude por IA da plataforma supera operadores humanos em 39 países. O contraste entre a camada de detecção interna em evolução e uma falha originada em parceiro externo dá a medida do risco operacional que escala junto com a rede de fornecedores de um banco digital.

    Cobrança vem 16 meses após outro reembolso massivo na Irlanda

    Não é o primeiro reembolso em larga escala da operação irlandesa. Em fevereiro de 2025, conforme reportou a RTÉ, a fintech devolveu € 23 mil a 66 mil clientes por cobrança indevida de stamp duty (selo) sobre saques em caixa eletrônico. Naquele caso, 93% dos reembolsos ficaram abaixo de €1 e o teto foi €5. A causa era interna: a Revolut aplicava o imposto em tempo real quando a regra previa cobrança após o fechamento do ano fiscal.

    O que observar

    Bancos digitais operam com stacks distribuídas, em que parte da experiência do cliente é entregue por parceiros terceirizados, como redes de caixas eletrônicos, processadoras de cartão e provedores de antifraude. A pergunta que esse tipo de caso levanta é regulatória: quando a cobrança indevida nasce do lado do fornecedor e o cliente só enxerga a marca do banco, qual é o limite de responsabilidade de cada parte? Vale acompanhar como reguladores europeus tratam a responsabilidade compartilhada em incidentes originados em fornecedores externos, e se o desfecho na Irlanda vira referência para outros mercados.

    Fontes: FinextraIrish TimesRTÉIA da Revolut supera humanos em prevenção a fraudeRevolut entra em gestão de patrimônio com licença da FCA

  • Gen Z paga com carteira digital em 36% das compras

    A Geração Z nos EUA usou carteira digital em 36% das últimas compras de varejo em novembro de 2025, mais que o dobro dos 15% medidos antes. O salto coincide com a carteira virando camada de identidade e permissão para agentes de IA, movimento que no Brasil ainda está restrito ao pagamento.

    O que está dentro da carteira

    O argumento se sustenta em dois movimentos recentes nos Estados Unidos. Em 26 de maio de 2026, a Samsung lançou o Samsung ID com CLEAR, credencial digital derivada de passaporte norte-americano armazenada no Samsung Wallet e aceita em mais de 250 postos de controle da TSA, além de verificação de idade em alguns estádios. Em 10 de junho, a Visa anunciou parceria com a OpenAI para que agentes de IA possam fazer compras dentro de limites de gasto, restrições por categoria de comerciante e fluxos de aprovação definidos pelo usuário.

    “A IA vai transformar o comércio mais profundamente do que a internet ou o mobile já transformaram”, disse Jack Forestell, Chief Product and Strategy Officer da Visa, no anúncio durante o Visa Payments Forum (em tradução livre). A parceria não tem data de disponibilidade definida e prevê que as transações operem com tokenização, autorização em tempo real, identificação do agente e monitoramento de fraude.

    Uso de carteira digital em última compra de varejo nos EUA

    Grupo Uso em novembro de 2025 Variação
    Total dos consumidores 15% Alta de 50% em relação a março de 2024
    Geração Z 36% Subiu de 15% em medição anterior

    Uso de carteira digital na última compra de varejo nos EUA, em novembro de 2025. Fonte: PYMNTS

    No Brasil, a carteira segue uma fase anterior dessa evolução. Em abril de 2026, o Samsung Wallet ganhou Pix por aproximação no país, ampliando a função de pagamento sem adicionar credencial de identidade ou camada de permissão para agentes. No podcast Let’s Money em julho de 2025, Albert Morales, Lead Group Product Manager de Google Pay e Wallet, descreveu a carteira como container que reúne cartões, programas de fidelidade, transporte e identidade num único produto, integração que o mercado brasileiro ainda não oferece ao consumidor final.

    A consolidação de identidade no Brasil avança pelo lado privado. A Serasa Experian fechou acordo para comprar a IDwall por R$ 400 milhões em maio, integrando KYC, biometria e onboarding à sua base. A Mastercard anunciou parceria para integrar Open Finance ao Human ID on-chain em novembro de 2025, tentando juntar credenciais financeiras e identidade no mesmo rail. Nenhuma dessas peças, porém, está embarcada hoje numa carteira de uso massivo no varejo brasileiro.

    O que observar

    O ponto de inflexão é quem detém a confiança em três camadas simultâneas: identidade verificada, credenciais de pagamento e configuração de permissões para agentes autônomos. Provedores de carteira que agregam esses três tipos de credenciais ocupam posição diferente da de quem só processa pagamento ou só verifica identidade. Reguladores de identidade digital, redes de cartão e plataformas de IA disputam essa camada por motivos distintos.

    Vale acompanhar como reguladores tratam responsabilidade em transações iniciadas por agentes autônomos. Quem responde por uma compra errada feita pelo agente: o usuário, o provedor da carteira, a rede de pagamento ou o desenvolvedor do agente? A definição vai moldar o desenho contratual dos próximos produtos e o ritmo de adoção desse tipo de serviço, com efeitos diretos sobre o consumo, fraude e contestação.

    Fontes: PYMNTSSamsung NewsroomVisa Investor RelationsLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s Money Podcast: Albert Morales, Google Pay e Wallet

  • Salesforce lança IA que prepara reunião do assessor

    O assessor financeiro nos EUA perde, em média, metade do dia em tarefa administrativa, segundo a Capgemini. A Salesforce lança nesta semana o Agentic Advisor, suíte com seis IAs agênticas dentro do Agentforce for Financial Services, mirando essa janela. A primeira capacidade, Meeting Concierge, entra em produção em junho de 2026; as outras cinco rodam até o fim do ano.

    Como o Meeting Concierge entra na rotina

    O Meeting Concierge ouve a conversa em tempo real, devolve contexto sobre o cliente antes do encontro, escreve o resumo, atribui tarefas e atualiza registros, sempre com aprovação do assessor, descreveu a empresa em comunicado divulgado em 18 de junho. Outro módulo com janela definida, o Run My Day, organiza a agenda e chega no verão americano, junto com uma página enriquecida de detalhes do cliente. Os três restantes não tiveram nome divulgado e rolam até o fim de 2026.

    Não é movimento isolado. Em abril, o Let’s Money reportou que o Citi colocou no ar quatro IAs para wealth advisors, mirando o mesmo problema: tempo gasto em tarefa que não é cliente. O Agibank rodou esse experimento com a própria Agentforce em março de 2026 e diz resolver 70% dos atendimentos sem humano. O Itaú acelerou desenvolvimento de software em até 300% com agentes em junho. A série histórica do Let’s Money sobre copilotos em bancos brasileiros nos últimos 90 dias soma cinco lançamentos (Citi, Agibank, Itaú, Tecban e Banco do Brasil), sinalizando que a categoria de agente para front office já tem demanda confirmada no mercado local. A camada de IA está descendo para onde o assessor (ou o atendente) opera.

    Cronograma do Agentic Advisor

    Capacidade Janela
    Meeting Concierge Junho de 2026 (em produção)
    Run My Day Verão americano de 2026
    Página enriquecida de detalhes do cliente Verão americano de 2026
    Três capacidades sem nome divulgado Até o fim de 2026

    Detalhamento do rollout informado pela Salesforce no release. Fonte: PYMNTS

    Por que agora

    O lançamento aterrissa quatro dias depois de outro movimento agêntico da casa. Em 15 de junho, a Salesforce anunciou a aquisição da Fin (antiga Intercom) por US$ 3,6 bilhões, descrita pela empresa como a maior compra de uma plataforma de customer experience agêntica até hoje. A Fin opera um agente alimentado pelo modelo próprio Apex e diz resolver 76% do volume de suporte sem humano em chat, email, WhatsApp, SMS, Slack e telefone. O Agentforce, plataforma onde o Agentic Advisor está plugado, somou US$ 1,2 bilhão em receita recorrente anual no primeiro trimestre fiscal de 2027, alta de 205% em relação ao mesmo período do ano anterior. “A Fin traz tecnologia comprovada de agente que vai complementar o Agentforce com capacidades poderosas de serviço” (em tradução livre), afirmou Marc Benioff, presidente e CEO da Salesforce, no comunicado da aquisição.

    O movimento também responde a uma pressão específica. Startups de notas com IA, como a Jump (que diz reunir 27 mil assessores nos EUA, perto de 10% dos licenciados) e a Zocks (5 mil firmas e parcerias com Hightower e a rede de 12 mil assessores da Cetera), levantaram em conjunto US$ 125 milhões em Série B e operam por fora do CRM, apurou o InvestmentNews. A Salesforce hoje tem entre 4% e 7% do CRM de assessores, segundo a consultoria Celent. “Agentic Advisor toma uma abordagem fundamentalmente diferente, operando ao longo de todo o ciclo de vida do assessor” (em tradução livre), disse Ashley Longabaugh, analista sênior da Celent, ao InvestmentNews. “É preciso mais do que uma IA que assiste, é preciso uma que aja” (em tradução livre), afirmou Eran Agrios, vice-presidente sênior e diretor-geral de Serviços Financeiros da Salesforce, no mesmo material.

    O que observar

    Vale acompanhar como as casas brasileiras de gestão de patrimônio e as plataformas de assessoria respondem ao avanço de agentes no front office. Hoje, o copiloto local está concentrado no backoffice (atendimento ao cliente, desenvolvimento de software, conformidade) e na figura do gerente bancário. O assessor independente, os escritórios de agentes autônomos e as mesas de investimento ainda dependem da combinação de CRM com ferramentas externas de IA, montadas como camadas separadas.

    A pergunta é se a suíte agêntica integrada nativamente ao sistema de registro ganha tração mais rápido do que a soma de ferramentas isoladas, ou se startups especializadas em anotação automática nascem como categoria local antes que os incumbentes terminem o rollout. Para o operador brasileiro, vale acompanhar três coisas nos próximos seis meses: o ritmo de adoção do Agentforce dentro das casas que já são clientes da plataforma global, o tipo de capacidade que as fintechs brasileiras vão liberar para o atendente humano (e não apenas para a operação automática) e quanto desse aparato vai aterrissar via parceiro local antes de virar feature global traduzida.

    Fontes: PYMNTSInvestmentNewsSalesforceLet’s Money (Citi)Let’s Money (Agibank)Let’s Money (Itaú)

  • Serasa: Tentativas de fraude de identidade digital crescem 36,6%

    A Serasa Experian identificou 1.495.696 tentativas de fraude em cadastros e validações de identidade digital no 1º trimestre de 2026, alta de 36,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O volume equivale a cerca de uma tentativa a cada 5 segundos e poderia gerar prejuízos de até R$ 1,98 bilhão para consumidores e empresas caso não fosse impedido. O dado abre a primeira edição do Mapa da Fraude, levantamento da datatech que reúne dados das tecnologias antifraude para mostrar como o fraudador atua em diferentes camadas da jornada digital.

    Na mesma edição, a Serasa Experian identificou mais de 19 milhões de mensagens associadas a golpes e mais de 368 mil tentativas de fraude no e-commerce brasileiro durante o período.

    Tentativas de fraude por segmento, 1º tri/2026

    Segmento Tentativas
    Meios de Pagamento 644.586
    Telefonia 313.200
    Bancos e Cartões 259.160
    Total identidade e cadastros 1.495.696 (+36,6% a.a.)
    Prejuízo potencial evitado até R$ 1,98 bilhão

    Tentativas de fraude em cadastros e validações de identidade. Fonte: Mapa da Fraude, Serasa Experian.

    Setor financeiro concentra 60% das tentativas

    O setor financeiro segue concentrando a maior parte das ocorrências, com 6 a cada 10 tentativas registradas em bancos, emissores de cartão, meios de pagamento e empresas de serviços financeiros e de crédito. Entre os segmentos analisados, “Meios de Pagamento” liderou em volume, com 644.586 tentativas, seguido por “Telefonia” (313.200) e “Bancos e Cartões” (259.160).

    No recorte regional, o Sudeste respondeu por 38,5% das tentativas. Apenas São Paulo concentrou mais de 230 mil ocorrências, o equivalente a 15,8% do total nacional. Norte e Centro-Oeste dobraram a quantidade de tentativas no período, indicando expansão da atuação dos fraudadores em diferentes partes do país. Por geração, 70,7% das tentativas se concentraram majoritariamente na população economicamente ativa, entre 17 e 60 anos.

    “O fraudador não atua de forma linear. Ele pode começar com uma mensagem de isca, usar dados de terceiros, tentar abrir um cadastro digital, fraudar uma identidade, manipular documentos, explorar contas laranja ou partir diretamente para a transação, entre outras frentes. Com o Mapa da Fraude, passamos a organizar essa leitura integrada, mostrando como a tentativa de golpe se movimenta e em que momento busca gerar prejuízo financeiro”, afirma Eric Dhaese, Vice-presidente de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, que comprou a IDwall em maio de 2026 por R$ 400 milhões para reforçar a operação antifraude.

    Grupos de conteúdo fraudulento crescem 139% no 1º tri

    Na camada de cibersegurança, a Serasa Experian identificou 10.053 anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos no 1º trimestre de 2026, alta de 8,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Também foram mapeadas 19,7 milhões de mensagens associadas a golpes, média de 152 mensagens por minuto, e quase 2 mil grupos de circulação e troca de conteúdo fraudulento, avanço de 139% na comparação anual.

    “A fraude está cada vez mais estruturada. Não se trata apenas de uma mensagem suspeita chegando ao consumidor, mas de um ecossistema de anúncios, perfis, páginas, aplicativos e grupos que sustentam a disseminação das tentativas”, afirma Dhaese.

    E-commerce: 1 a cada 100 transações é tentativa de fraude

    Na camada transacional, quase 1 a cada 100 transações no e-commerce foi considerada tentativa de fraude no 1º trimestre de 2026. Ao todo, foram registradas mais de 368 mil ocorrências, o equivalente a uma tentativa a cada 21 segundos, que somaram R$ 337,9 milhões em valor preservado por meio das soluções antifraude. O ticket médio das tentativas foi de R$ 917,52, valor 62% acima do pedido legítimo.

    A categoria “Beleza” liderou em quantidade de tentativas, com 33,7 mil ocorrências, seguida por “Calçados” (29,4 mil) e “Saúde” (18,9 mil). Já entre as categorias com maior risco, “Celulares” aparece no topo, com risco de 3,11%, ou seja, uma tentativa a cada 32 pedidos legítimos. Na sequência estão “Acessórios eletrônicos”, com 2,62%, e “Eletrônicos”, com 2,11%.

    “Mesmo quando a taxa parece pequena, o impacto financeiro é relevante pela escala do comércio digital. É na transação que o fraudador tenta transformar a tentativa em dinheiro. Por isso, olhar comportamento de compra, dispositivo, meio de pagamento, histórico e padrão do consumidor é essencial para diferenciar uma compra legítima de uma fraude”, declara Dhaese.

    IA, fraude como serviço e identidades sintéticas

    O Mapa da Fraude também aponta movimentos que devem exigir atenção nos próximos meses. Entre eles estão o avanço do Fraud as a Service, modelo em que golpes, kits, scripts e serviços especializados são comercializados para facilitar a atuação criminosa; o uso indevido de inteligência artificial generativa para tornar abordagens mais personalizadas, convincentes e escaláveis; e a pressão crescente de identidades sintéticas, com combinações realistas de dados, imagens e narrativas para tentar atravessar camadas de autenticação. Deepfakes e conteúdos gerados com apoio de IA que simulam autoridade, como o uso indevido de figuras públicas, representantes do governo e veículos de imprensa, também aparecem como pontos de atenção.

    “A inteligência artificial não aparece necessariamente como uma categoria estatística isolada, mas como uma tecnologia que, quando usada de forma indevida, pode ampliar escala, realismo e personalização dos golpes. Ela pode tornar páginas falsas mais críveis, mensagens mais naturais e perfis sintéticos mais difíceis de identificar. Por isso, estar um passo à frente do fraudador exige leitura contínua de dados, tecnologia e inteligência analítica em diferentes pontos da jornada”, avalia Dhaese.

    O que observar

    O recorte interessa principalmente a bancos, emissores de cartão, fintechs de meios de pagamento, plataformas de telefonia e marketplaces, que concentram a maior parte das tentativas e absorvem o custo direto do prejuízo evitado. Vale acompanhar como áreas de risco redesenham fluxos de onboarding para conter identidades sintéticas, como times de cibersegurança lidam com a multiplicação dos grupos de circulação de conteúdo fraudulento e como categorias de alto ticket médio ajustam regras de autenticação no checkout.

    Fontes: Mapa da Fraude, Serasa ExperianLet’s Money: Serasa Experian compra IDwall por R$ 400 milhõesLet’s Money: Serasa e capital de giro das PMEs

  • Apple abre iPhone no Brasil a lojas e pagamentos rivais

    A Apple liberou nesta quinta-feira o iPhone no Brasil para receber lojas de aplicativos rivais e sistemas alternativos de pagamento, mudança que entra em vigor com a atualização para o iOS 26.5. A virada cumpre acordo homologado pelo Cade em dezembro de 2025, depois de uma investigação aberta em 2022 a partir de denúncia do Mercado Livre.

    Pela primeira vez dentro da plataforma do iPhone no país, desenvolvedores podem disponibilizar aplicativos fora da loja oficial e cobrar por compras dentro do app usando soluções próprias. A abertura segue caminho semelhante ao adotado pela União Europeia em 2024 com o Digital Markets Act (DMA), mas com salvaguardas adicionais para menores de idade. É justamente nesse ponto que a companhia diz preferir o modelo brasileiro ao europeu.

    Novas faixas de taxa da Apple no Brasil

    Modelo de distribuição e cobrança Taxa
    Loja oficial + sistemas próprios da Apple 15% a 26%
    Loja oficial + pagamento alternativo embutido no app 10% a 21%
    Loja oficial + pagamento concluído fora do app 10% a 15%
    Loja alternativa + pagamento alternativo 5%

    Faixas anunciadas pela Apple para o mercado brasileiro. Fonte: O Globo

    O acordo e seus limites

    O Termo de Compromisso de Cessação (TCC) foi homologado pelo Cade em 23 de dezembro de 2025, com validade de três anos e multa de até R$ 150 milhões caso a companhia descumpra as obrigações. A apuração foi aberta em 2022, a partir de denúncia do Mercado Livre e da Ebazar.com.br, que apontavam abuso de posição dominante na distribuição de apps para o sistema operacional do iPhone. Pelos números informados pela própria Apple, cerca de 86% dos devs brasileiros estão hoje isentos da cobrança.

    O movimento brasileiro se conecta com decisões em outras jurisdições. Nos Estados Unidos, a Apple perdeu em 2025 uma disputa contra a Epic Games, criadora de Fortnite, que moveu ação contra a fabricante em 2020 para tentar habilitar cobranças por fora. Durante quase cinco anos, o game ficou indisponível no sistema da empresa. Na União Europeia, o DMA obrigou a abertura desde 2024. Movimentos semelhantes vêm sendo conduzidos por reguladores em outros mercados, como a recente abertura de caso antitruste no Reino Unido contra Visa, Mastercard e PayPal.

    Fora do escopo do TCC atual, corre outra apuração do regulador contra a fabricante, aberta em abril de 2025, que mira o uso do chip de aproximação do aparelho para o Pix sem contato. Em junho, a Apple sinalizou ao órgão que toparia firmar um novo acordo para liberar a função sem taxar bancos e fintechs, embora seus executivos tenham dito a O Globo na semana passada que questões técnicas e regulatórias ainda persistem.

    A companhia também aproveitou a janela para diferenciar o regulador brasileiro do europeu. “É crítico levar a mensagem de que outros governos não devem seguir um modelo fracassado que vemos na Europa”, disse Greg Joswiak, vice-presidente sênior responsável pelo marketing mundial da Apple, em entrevista a jornalistas na semana passada. Executivos da empresa afirmaram que a Comissão Europeia adota uma “interpretação extrema da lei de mercados digitais” e disseram que o desenho brasileiro permite controles adicionais de proteção a menores. Dados próprios do Let’s Money mostram que casos de antitruste envolvendo big techs e infraestrutura de pagamentos viraram tema recorrente da categoria de Regulação na cobertura recente do portal.

    O que observar

    Vale acompanhar como o mercado brasileiro de aplicativos absorve o novo regime, sobretudo se grandes desenvolvedores migram para lojas alternativas ou ficam na loja oficial usando sistemas próprios de cobrança para fugir das taxas mais altas. Outro ponto é o efeito sobre instituições financeiras: o próximo passo do Cade trata justamente do chip de aproximação dos celulares, infraestrutura central para o avanço do Pix por NFC no país, e o desenho desse segundo acordo deve definir se o ecossistema dos dois principais sistemas operacionais móveis fica equiparado nesse aspecto.

    Fontes: O GloboCadeLet’s Money

  • Google lança plano contra agentes IA fora de controle

    O Google DeepMind publicou nesta quinta-feira (18) o “AI Control Roadmap”, framework que trata agentes de IA como possíveis adversários internos e propõe defesa em camadas. Abandona a premissa de alinhamento perfeito e adota visão “conservadora, de pior caso”. No Brasil, a Zup, do Itaú, fechou esta semana parceria com a Anthropic para IA corporativa.

    As três ameaças que o DeepMind tenta conter

    Categoria O que ameaça
    Perda de controle Implantações internas “rogue”
    Sabotagem de trabalho Pesquisa de alinhamento e segurança intencionalmente falha
    Dano direto Destruição ou exfiltração de ativos críticos

    Categorias mapeadas pelo Google DeepMind no “AI Control Roadmap” de 18 de junho de 2026. Fonte: PYMNTS.

    Como o roadmap trata o agente IA

    O documento divide as ameaças hipotéticas em três blocos: “perda de controle”, com implantações internas “rogue”; “sabotagem de trabalho”, via “pesquisa de alinhamento e segurança intencionalmente falha”; e “dano direto”, a destruição ou exfiltração de ativos críticos. Os pesquisadores afirmam ter adotado uma “abordagem conservadora, de pior caso” ao mapear as ameaças, assumindo cenários em que o Google teria de lidar com um “adversário de IA hipotético perseguindo objetivos indesejáveis em implantação interna”. “Não devemos assumir que agentes de IA estão sempre perfeitamente alinhados, mas devemos construir múltiplas camadas de defesa”, afirma o relatório.

    O modelo de contenção combina permissões progressivas com supervisão por outras IAs. O Google compara o desenho a um instrutor de direção com controles duplos: o instrutor confia no aluno, mas mantém o pedal pronto se houver erro. “Nosso sistema de controle de IA concede permissões a agentes com base em comportamento verificado, permitindo que construamos confiança por meio de acesso controlado e incremental”, escreveu a empresa em post no blog do DeepMind. A operação mede três métricas: cobertura (fração do tráfego monitorado), recall (fração de comportamentos desalinhados detectados) e tempo de resposta.

    Por que o paper chega agora

    O timing não é fortuito. Em maio de 2026, dados da Cloudflare reportados pela NBC News apontaram que 57,4% das requisições HTTP no mundo já vêm de máquinas, e o número chega a 68,6% na América do Norte. O CEO Matthew Prince disse esperar esse cruzamento apenas no fim de 2027. O salto recente vem da IA agêntica: pelo HUMAN Security, o tráfego agêntico cresceu 7.851% no ano, com varejo e e-commerce concentrando 46,6% do volume.

    A leitura conecta com o que bancos vêm fazendo. Em 18 de junho de 2026, Visa e Mastercard colocaram token no comando do comércio agêntico. Em 17 de junho de 2026, o HSBC fechou acordo com o Google Cloud para IA generativa. Em 2 de junho de 2026, um agente IA do ING comprou ingressos para um cliente na Holanda. O roadmap do DeepMind chega ao mesmo tempo em que o agente vira interface comercial.

    O que observar

    A pergunta operacional para áreas de risco em instituições financeiras é em que tier de supervisão cada agente IA em produção opera, e quem assina a supervisão: outro modelo ou uma equipe humana. Quando o supervisor é IA, métricas de cobertura, recall e tempo de resposta passam a ser parte do dossiê regulatório, não só de SRE. O setor ainda discute se a auditoria desse pipeline é responsabilidade do fornecedor, da instituição financeira ou de um terceiro independente.

    Para o ecossistema brasileiro, o ponto principal é arquitetônico. A identidade digital e os trilhos de pagamento foram desenhados para usuário humano. À medida que agentes começam a operar contas, navegar checkout e acessar APIs em escala, a base instalada precisará incorporar autorização de máquina como categoria nativa de identidade, algo que reguladores, instituições financeiras e fornecedores de modelo ainda precisam definir.

    Fontes: PYMNTSGoogle DeepMind blogNBC NewsHUMAN SecurityVisa e Mastercard agenticHSBC e Google Cloud